MENSAGENS

MENSAGEM DO DIA

19/01/2010 - Eu, aqui e agora

(texto adaptado de Shundo Aoyama Roshi, abadessa do Mosteiro Feminino de Aichi)



Recentemente fiquei comovida ao ler uma poesia chamada "Pano de chão", do poeta Michio Mado :


Quando volto para casa em um dia de chuva

o pano de chão está me esperando

com a cara de um pano de chão.

Um rosto conhecido!

Mas certamente não era sua opção

tornar-se um pano de chão.

Até pouco tempo atrás

tinha a cara de uma camisa.

"Sou uma camisa", dizia.

Era macia como se fosse minha segunda pele

mas certamente tornar-se camisa

não foi sua opção.

Talvez há muito tempo,

em uma terra como a América

teria sorrido como uma flor de algodão

sorrindo para o vento e para o sol.



Se eu fosse um pano de chão, talvez dissesse: "seria melhor ser uma camisa". Ou então: "agora me tornei um pano de chão, mas antes eu era uma bela camisa". Um pano de chão que se lamenta assim não é útil. Não é nada fácil um pano de chão com a forma de uma camisa. Desempenhar plenamente o papel que nos foi confiado significa transformar-se plenamente em uma camisa quando temos que ser uma camisa, e voltar a ser um pano de chão quando devemos ser um pano de chão. Esta é a imagem de quem vive seguindo o caminho da verdade sem pensar em seus desejos caprichosos.



Pensar que o pano de chão não é importante e tem menos valor do que a camisa é uma idéia banal, a mentalidade típica dos seres humanos. Neste mundo, não há diferença de valor entre um objeto e outro. Ouvi dizer que um pino de poucos milímetros que sustenta os mecanismos de um relógio de cem mil dólares custa apenas dez dólares. Mas este pino tão barato é tão essencial ao funcionamento do relógio quanto um objeto muito mais caro. Cada parte do relógio tem seu papel no funcionamento do mecanismo e, a cada instante, trabalha sem cessar para que o relógio não pare. Também nosso trabalho - qualquer que seja ele - é como as engrenagens de um relógio, mantendo uma família, uma empresa, um país e o mundo.



Se trabalharmos seriamente a cada instante, colocando de lado nossos pensamentos e interesses egoístas, podemos nos transformar em uma luz que ilumina as pessoas que nos circundam. Nossa presença por si só é suficiente para iluminar e nos tornamos a própria aparição da verdade e do bem comum.